A Lei de Diretrizes e Bases da Educação é apontada pelo professor de direito constitucional Pedro Estevam Serrano como principal razão para que o Ministério da Educação investigue a sindicância que expulsou Geisy. Ele acredita que o MEC pode pedir até o fechamento da escola:
Em nota, a União Nacional dos Estudantes (UNE) disse que
a universidade deveria ser um espaço de diálogo e para construir relações sociais livres de opressões e preconceitos. Mas dá sinais de que vive na era das cavernas. A UNE exigiu que a matrícula da estudante seja mantida, que a universidade se retrate e que os agressores sejam julgados.
http://extra.globo.com/pais/materias/2009/11/08/universidade-que-expulsou-aluna-por-causa-de-saia-curta-vai-se-explicar-ao-mec-914664007.asp
Universidade que expulsou aluna por causa de saia curta vai se explicar ao MEC
O Ministério da Educação e a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres vão cobrar explicações da Universidade Bandeirante (Uniban), de São Bernardo do Campo (SP), sobre a expulsão da aluna Geysi Arruda. Ela foi hostilizada por centenas de colegas por usar, em aula, um vestido considerado muito curto. A jovem teve de ser resgatada por policiais para fora do campus .
Segundo a secretária de Educação Superior do MEC, Maria Paula Dallari, o que mais chama a atenção é a desproporção entre as punições aplicadas aos envolvidos na confusão. Geysi acabou expulsa e alguns colegas que a ofenderam foram apenas suspensos. Para Dallari, pode ter havido tratamento diferenciado por questão de gênero.
Intolerância
A ministra Nilcéa Freire, da Secretaria de Mulheres, disse à Agência Brasil que a atitude da Uniban demonstra "absoluta intolerância":
-
É um absurdo. A estudante passou de vítima a ré. Se a universidade quer ter padrões de vestimenta adequados, deve informar aos alunos claramente quais são - criticou a ministra.
Após analisar o caso, a Secretaria de Ensino Superior (Sesu) do MEC poderá publicar uma recomendação para que a Uniban exerça melhor seu papel como instituição educadora. A Sesu deve
trabalhar em parceria com o Ministério Público, dando parecer sobre o caso.
- Existir um conflito não é o problema. A questão é como uma instituição, que tem como dever educar e formar alunos para a cidadania, reage - afirmou Maria Paula.
FOLHA ON LINE EDUCAÇÃO
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u649362.shtml
08/11/2009 - 14h03
UNE condena decisão da Uniban e defende bolsa para aluna expulsa
da Folha Online
da Agência Brasil
O presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Augusto Chagas, considerou
"descabida" a decisão da Uniban de expulsar a aluna Geisy Arruda, 20, após o episódio em que ela foi humilhada por outros alunos por usar um vestido curto.
De acordo com Chagas, a atitude criminaliza a vítima. "É como nos casos em que se responsabiliza a vítima de um assalto por estar segurando a carteira, ou se diz que uma mulher é culpada quando sofre um assédio ou abuso por causa da sua roupa. Isso nos parece lamentável."
Advogado se diz "perplexo" com expulsão de aluna da Uniban e estuda recurso
Expulsão de aluna hostilizada na Uniban atesta incompetência, diz entidade
Uniban decide expulsar aluna hostilizada por usar vestido curto
A UNE, segundo ele, vai chamar a atenção de outras instituições para que recebam a aluna, se for o caso, inclusive oferecendo bolsas de estudo a ela. "Não podemos permitir que ela interrompa sua trajetória escolar por causa disso."
Marlene Bergamo/Folha Imagem
BLOG DO NOBLAT
O GLOBO
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/11/08/a-vitoria-do-preconceito-do-falso-moralismo-239277.asp
Que falta grave cometeu Geisy Villa Nova Arruda, 20 anos, aluna do curso de Turismo, para ser expulsa pela Uniban, universidade localizada em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista?
A se acreditar no que disse Décio Lencioni Machado, assistente jurídico da instituição, Geisy não foi punida porque no último dia 22 compareceu às aulas usando um vestido curto, curtíssimo. Até porque, segundo ele, "tem menina que usa roupas mais curtas".
Deve ter sido por isso que Geisy não foi barrada pelos seguranças da universidade.
Ela recebeu a pena máxima porque desrespeitou a "dignidade acadêmica e a moralidade". Como?
De novo Machado: "O foco é a postura, os gestos, o jeito de ela se portar. Ela tinha atitudes insinuantes. (...) Ela extrapolava rebolando na rampa, usando roupas para que os colegas pudessem verificar suas partes íntimas."
Quem deu testemunho sobre comportamento tão reprovável?
Alguns dos 700 estudantes que vaiaram Geisey no dia 22, a chamaram aos berros de "puta" e só não a agrediram porque a polícia interveio.
E que pena foi aplicada aos 700 fundamentalistas da Uniban?
Seis ou oito deles, ainda não se sabe bem, serão suspensos por um prazo que ainda não foi determinado.
Se cerca de 700 estudantes foram capazes de reagir de forma tão violenta e histérica à simples exposição de dois terços de pernas como não teriam reagido ao repetido espetáculo de uma moça que rebolava na rampa usando roupas que permitiam "verificar suas partes íntimas"?
Trata-se de uma grossa mentira, que a direção da universidade não terá dificuldade de sustentar com base em depoimentos previamente arranjados.
A vítima virou um criminoso e os criminosos vítimas dela.
A imagem da universidade ficou mal quando sua direção precisou chamar a polícia para conter a fúria de 700 estudantes ensandecidos. E agora ficou pior com a desculpa forjada para se livrar de Geisey.
O preconceito e o falso moralismo venceram na Uniban
O GLOBO
http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2009/11/08/internautas-condenam-decisao-de-universidade-que-expulsou-aluna-por-usar-minissaia-na-aula-em-sp-914657890.asp
Em enquete realizada pelo site do Globo, cerca de 80% dos internautas se manifestaram contrários à decisão da universidade de expulsar a estudante.
Entre os comentários de internautas que se manifestaram, alguns classificaram
a decisão da universidade de hipócrita, como o internauta identificado como Alexandro Palmeira. Um internauta lembrou que a decisão de expulsar a estudante acontece na mesma data em que se comemoram 20 anos da queda do muro de Berlim, evento que exalta a democracia.
- Se era proibido o uso de minissaia, por que não determinaram o uso de uniformes para os alunos? - questiona a internauta.
Ela contou que quando viu as imagens da manifestação dos alunos contra a aluna de minissaia, teve a impressão que se 'tratava de alguma rebelião no cadeião de Pinheiros' dada a truculência do comportamento dos participantes.
- Ao saber que era numa universidade, fiquei chocada e lembrei de um filme antigo onde se retratava costumes de povos medievais que queimavam pessoas vivas quando contrariavam a sociedade da época - escreve a internauta.
Para o internauta identificado como MS, a Uniban foi hipócrita ao expulsar a aluna.
- Por que essa faculdade não conversou primeiro com a aluna antes de expulsá-la? É essa democracia que a instituição prega no seu meio acadêmico?
Para o internauta Lundendorff, causa perpplexidade "num país que se diz ocidental, do século XXI e democrático, uma moça ser quase linchada e espulsa de uma universidade que mais mais parece do começo da Idade Média".
O internauta Thesaurus1 classifica de 'incivilizados'' os alunos da universidade que humilharam a moça, além dos funcionários que ficaram impassíveis e os professores que não fizeram NADA para ajudá-la (com exceção daquele que emprestou o seu avental branco para que ela saísse do campus).
- Não passa pela cabeça deles que a liberdade de falar, reclamar, vestir-se assim ou assado é direito humano. Ela estava ferindo que código de moralidade? - questiona.
Para a internauta Quesya , se o problema é um "suposto código de vestimenta para o ambiente escolar", deveriam ser expulsos também os rapazinhos de boné, acessório totalmente incompatível com o ambiente acadêmico.
- É óbvio que houve no caso flagrante preconceito de gênero e também de classe (a moça é de famíla humilde) - escreve.
Há aqueles que defendem a intervenção do Ministério da Educação no caso. A interneuta identificada como Gis_RJ é uma delas.
- O MEC tem que fazer alguma coisa. Essa universidade não pode funcionar num país democrático. Isso é inadimissível.
Para o internauta, Freetown o caso "foi umas dais maiores violações às liberdades individuais dos últimos anos.
Uma vergonha para o país que se diz e se acha na vanguarda mundial".
O internauta idetificado como Fanit revela que o episódio coloca um ponto de interrogação no futuro do país.
- Vendo essa e outras que acontecem no Brasil, dá medo do nosso futuro que ficará nas mãos desses jovens, que só se preocupam com consumo e aparência, formados em péssimas instituições de ensino e nada politizados. Nossa sociedade só involui - escreve.
- A Universidade que deveria ter um empenho na eliminação de todas as formas de preconceito, incentivando o respeito à diversidade, às diferenças..... torna-se a Univerdade de "fomentação e incentivo" com esta atitude - escreve a internauta Sonia Regina Coutinho
A decisão da Uniban também foi reprovada pela deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) Segundo a deputada, a expulsão de Geyse não se justifica e parte de um "moralismo idiota".
- Mesmo que ela fosse uma prostituta, qual seria o problema da roupa?
Temos que ter tolerância com a decisão e postura de cada um - afirmou Erundina.
A socióloga e diretora do Instituto Patrícia Galvão, Fátima Pacheco, discordou da decisão e questionou o argumento da universidade de que a aluna "teria tido uma postura incompatível com o ambiente acadêmico", conforme diz a nota da Uniban.
- Ela não infringiu nada. Ela estava vestida do jeito que gosta, da maneira que acha adequado para seu o corpo e a interpretação do abuso, da falta de etiqueta é uma interpretação que não tem sentido - disse Patrícia.
- É uma reação à mulher e à autonomia sobre o seu corpo. Não se faz isso com rapazes sem camisa, com cueca para fora ou calças rasgadas - completou a socióloga.
Para a psicóloga Rachel Moreno, do Observatório da Mulher, a reação dos estudantes e da universidade refletem posições contraditórias e "hipócritas" da sociedade em relação à mulher.
- Por um lado, a nossa cultura diz que a mulher tem que ser valorizar o corpo, afinal de contas, tem que ser bonita, tem ser gostosa e tem que se mostrar. Por outro lado, a mulher é punida quando assume tudo isso com tranqüilidade.
Isso quer dizer que, para a sociedade, em termos de sexualidade, a mulher deve ser objeto de desejo e não de manifestar o seu desejo, sua sensualidade, concluiu Rachel.
O Movimento Feminista de São Paulo prepara manifestação para esta segunda, às 18 horas, em frente à Uniban. Na convocação, o movimento pede que as manifestantes compareçam usando minissaias ou vestidos curtos.
A União Nacional dos Estudantes (UNE) também condenou a decisão da Uniban.
O advogado Nehemias Domingos de Melo, que defende a estudante Geisy pretende entrar na Justiça contra a decisão da universidade. O advogado ainda vai decidir nesta segunda-feira se entrará com pedido de liminar para que a estudante volte a frequentar as aulas ou se vai processar a universidade por discriminação. A aluna foi humilhada pelos colegas e o vídeo colocado na internet.
- Nossa posição é de perplexidade nesse momento. Com o resultado da sindicância interna, que decidiu pela expulsão, e com a forma como a decisão foi comunicada (com anúncio nos jornais) - disse o advogado.
A universidade comunicou a expulsão por meio de anúncio publicado em jornais de São Paulo deste domingo.
Além de anunciar a expulsão de Geisy, a Uniban decidiu "suspender das atividades acadêmicas, temporariamente, de alunos envolvidos e devidamente identificados no incidente ocorrido no dia 22". No entanto, o anúncio não informa quantos alunos foram afastados e nem os seus nomes.