Todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza. Todas as políticas públicas devem promover os direitos de todo ser humano, agindo nos princípios da democracia , cidadania e justiça social. A Lei. A Constituição Federal. Não cabem o preconceito, a intolerância e a discriminação em um Estado Democrático de Direito.
Um menino de 7 anos de idade morreu após seus pais rezarem para ele em vez de levá-lo ao hospital. Os pais foram indiciados por negligência.
Por semanas, o menino Seth Joh sofreu pancreatite aguda e sepse - infecção renal grave - mas nunca foi levado pelos pais para se consultar com um médico. Quando o filho chegou em um estado de saúde mais crítico, os pais simplesmente oraram para ele e o colocaram para dormir. Apenas quando Seth foi encontrado inconsciente e coberto de vômito, os pais ligaram para a polícia.
No Caps de Duque de Caxias a médica psiquiatra no registro de atendimento fez referência aos sintomas depressivos e problemas estressores no meu trabalho profissional no magistério da rede Municipal de Belford Roxo. Mais receitas me foram dadas e novo encaminhamento feito ao atendimento regular na Prefeitura Municipal de Duque de Caxias. Eu deveria comparecer a uma sala no Hospital Infantil da Cidade onde eu seria mais uma vez encaminhada para, enfim, ser acompanhada regularmente por médico psiquiatra e psicólogo.
REGISTRO DO CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL LESLIE CHAVIN
NO VERSO DA PRIMEIRA FOLHA DO REGISTRO DO CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL LESLIE CHAVIN DE DUQUE DE CAXIAS A MÉDICA PSIQUIATRA RELATOU POUCA MELHORA COM O ANTIDEPRESSIVO AMYTRIL QUE EU ESTAVA USANDO HÁ 7 DIAS (17/07/2003).
SEGUNDA FOLHA DO REGISTRO DO CAPS DE DUQUE DE CAXIAS MEDICAMENTO DOSE DIÁRIA - DIAGNÓSTICO SINDRÔMICO - ENCAMINHAMENTO - ASSINATURA DA MÉDICA PSIQUIATRA TÉCNICA - CRM (17/07/2003) E CONFERÊNCIA COM O DOCUMENTO ORIGINAL
PREFEITURA MUNICIPAL DE DUQUE DE CAXIAS Secretaria Municipal de Saúde Coordenadoria de Saúde Coletiva Centro de Atenção Psicossocial Leslie Chavin
Data de entrada no serviço 17/07/03
Identificação
Nome: Xxxxxx F. Coutinho Data de Nascimento 15/09/72 Idade 30 anos Sexo: (X) Xxxxxxxxx RG: 09089680-4 CPF: 024114147-81 Título de Eleitor: Endereço: Av. N. S. Graças 40 Ponto de Referência: Sub-Bairro: Xerém CEP: Telefone: Xxxx-xxxx xxxx-xxxx Filiação Mãe: Xxxx Xxxxxxxx Xxxxxxxx Pai: Xxxx Xxxxxx Xxxxxxxx Acompanhado por Encaminhado por CPRJ. História de adoecimento psíquico
No Hospital Infantil de Duque de Caxias eu enfrentei pela primeira vez a precariedade do atendimento público de saúde no Brasil. A fila para o atendimento estava grande. Demorou longo tempo. Reclamações gerais ocorriam das pessoas na fila. Quando fui atendida me disseram que infelizmente não seria possível que eu tivesse a continuação do atendimento. Não havia como encaixar novos pacientes naquele instante e não havia perspectiva de quando abriria novas vagas no município em que eu morava.
Eu não podia nem me tratar na rede pública no município do Rio de Janeiro onde o atendimento funcionava, nem no município da Baixada Fluminense em que eu morava porque embora a demanda fosse imensa, não havia vagas na prática.
Continuando a buscar ajuda psicológica eu me dirigi novamente ao município do Rio de Janeiro, desta vez para tentar pela via particular, com a Clínica de Reabilitação Casa das Palmeiras em Botafogo. O trabalho deles me chamou atenção porque havia uma abordagem terapêutica através de procedimentos artísticos como pintura. Lá o profissional médico psiquiatra Edgar Tavares novamente me encaminhou ao IPUB - Serviço de Psiquiatria da UFRJ que me informou novamente que eu não poderia ter o acompanhamento por eles por morar em outra região.
MÉDICO PSIQUIATRA EDGAR TAVARES DA CLÍNICA DE REABILITAÇÃO CASA DAS PALMEIRAS ME ENCAMINHOU PARA PSICOTERAPIA AMBULATORIAL EM 21/07/2003
Daí eu consegui localizar um consultório de um profissional particular na região central de Duque de Caxias possivelmente na localidade 25 de agosto. Eu me recordo que passei a pagar consultas seguidas com ele através do dinheiro do meu salário que eu recebia da Prefeitura de Belford Roxo. O nome dele era Dr. Aguimar. Eu lembro também que eu permanecia deitada na sala e ele me incentiva que eu colocasse para fora as experiências traumáticas que eu vivia no ambiente de trabalho de professor. Eu tinha impressão na época de que ele gravava os meus relatos, mas é apenas uma hipótese. Embora fosse um profissional sério, com uma proposta séria, essa abordagem terapêutica não surtia em mim o efeito desejado. Ao longo das consultas eu não tinha melhora. Os traumas, medos e fobias não se resolviam de forma que eu melhorasse e eu sentia que estava perdendo em vão todo o dinheiro que desembolsava.
Então continuando encontrei uma pessoa que informava ser psicólogo profissional anunciando atender próximo da minha casa, acredito em sua residência na localidade "Beira Serra". Além de todo o problema profissional, mal-estar, depressão, transtorno e sofrimento decorrentes, ele queria abordar também os outros aspectos da minha vida. Eu contava a ele a forma como eu me percebia e me sentia bem de viver e me relacionar plenamente, pois era transexual feminina, mas não havia iniciado o processo de transição. Eu manifestava a ele a minha realidade feminina. Logo de início ele não aceitou essa condição. Embora ele me mandasse sempre e diretamente eu desistir e parar de dizer que eu me sentia uma mulher, que eu era uma mulher, que isso era besteira, o assunto voltava nas próximas "consultas" porque eu levava muito a sério a situação e procurava dizer a verdade. Aqui onde eu moro em Xerém há uma influência muito grande do meio católico e evangélico e o psicólogo era também religioso, de família religiosa conhecida, atendia em casa, andava humildemente de bicicleta - sem desmerecer o fato - , nunca possuiu um consultório fora de sua residência ou atendeu na rede pública. Talvez eu tenha perdido o meu tempo com uma pessoa que nem profissional era. O que ele mandava eu fazer eu não conseguia fazer. O valor das consultas dele era mais adequado ao que eu podia pagar, mas nada deu certo também ou resultou em melhora e bem-estar.
Eu lembro que eu dei
entrada em processo administrativo pedindo para que a Prefeitura
Municipal de Belford Roxo custeasse um tratamento Psicológico e
Psiquiátrico para mim alegando que eu não me encontrava mais depois de
tudo que havia passado no trabalho da rede municipal de educação em
Belford Roxo em condições de desempenhar minhas funções
equilibradamente, mas eu não fui atendida. Eu sentia que faltava
interesse em me prestar assistência social, psicológica no órgão de
trabalho em que eu me encontrava. De fato, esse tipo de assistência,
apoio e ajuda eu nunca tive.
No mesmo parágrafo do processo administrativo endereçado a Prefeitura Municipal de Belford Roxo em 2003 e arquivado pela Procuradoria do Município, eu registrei que inúmeras vezes
eu me encontrava chorando e relembrando esses tristes episódios no
trabalho que não conseguia mais tirá-los da minha cabeça sentindo um
vazio muito grande e outros sintomas psiquiátricos que não conseguia explicar pedindo em nome do Senhor Jesus Cristo ajuda médica.
PARTE DO PROCESSO DE 2003 escrito à mão COM ASSINATURA E MATRÍCULAS MUNICIPAIS
"...
MINHA TRISTEZA CADA DIA MAIS AUMENTA. Peço a Prefeitura que custeie
para mim um tratamento Psicológico e Psiquiátrico pois sei que não me
encontro mais, depois de tudo isso, no meu senso normal e em condições
de desempenhar minhas funções equilibradamente. Inúmeras as vezes em que
chorei e que passo meus dias lembrando e relembrando esses tristes
episódios que não consigo mais tirá-los da minha cabeça sentindo um
vazio muito grande que não sei explicar. Por Jesus Cristo preciso de
ajuda médica".
O
FORMULÁRIO DE REFERÊNCIA DO CENTRO PSIQUIÁTRICO DO RIO DE JANEIRO
CONSTA DE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DE 2003 MEUS ARQUIVADOS PELA PROCURADORIA DE BELFORD ROXO
FORMULÁRIO DE REFERÊNCIA DO CENTRO PSIQUIÁTRICO DO RIO DE JANEIRO (CPRJ) DE 10/07/2003
SERVIÇO PÚBLICO ESTADUAL SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE SUBSECRETARIA DE SAÚDE SUPERINTENDÊNCIA DE SAÚDE CENTRO PSIQUIÁTRICO RIO DE JANEIRO Rio de Janeiro, 10/07/2003 FORMULÁRIO DE REFERÊNCIA Encaminhamos Xxxxxx Fagundes Coutinho Ao CAPS / LESLIE Rua/Av. Marechal Deodoro, 147 Centro Bairro 25 de Agosto Observação: Ambulatório de Psiquiatria
X Srx Xxxxxx de 30 anos, foi atendidx em nossa emergência e foi orientadx pelo médico a iniciar tratamento c/ atendimento regular no ambulatório. Queixa-se muita cefaleia, insônia, muito agressivx, chora c/ facilidade, vontade de se matar, tristeza. Solicitamos atendimento em consulta p/ x mesmo que reside na área abrangente deste serviço. Fizemos contato por tel. X paciente foi agendado p/ Dia 17/7/03 às 13:00hs c/ Dra Rosângela. Grata Assistente Social
CENTRO PSIQUIÁTRICO RIO DE JANEIRO Pça. Coronel Assunção s/n Saúde Rio de Janeiro/RJ CEP: 20220-480 Tel: 2516-5504 Fax: 2516-9451 CNPJ: 42.498.7170022-80
Após
um período de depressão intensa, angústia e sofrimento, eu consegui ir
até outro município, só, procurar socorro na emergência do Centro
Psiquiátrico do Rio de Janeiro em 10/07/2003 onde eu fui avaliada em um
dia por um médico psiquiatra e uma assistente social. Foram constatadas
doença, necessidade do uso de medicações psicotrópicas e necessidade de
acompanhamento psiquiátrico e tratamento psicológico contínuos.
Sempre sozinha eu fui no centro da cidade de Duque de Caxias onde morava até o CAPs para ter atendimento com nova psiquiatra marcada pelos profissionais da saúde do Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro. Eles me explicaram que infelizmente não seria permitido que eu tivesse a sequência do meu tratamento necessário por lá porque a minha residência ficava em outro município. Mas me foram dados muitos remédios gratuitamente graças a Deus suficientes para meses de uso contínuo.
RECEITUÁRIO DE CONTROLE ESPECIAL CENTRO PSIQUIÁTRICO RIO DE JANEIRO DIAZEPAM 10/07/2003
PARTE DO PROCESSO DE 2003 escrito à mão COM ASSINATURA E MATRÍCULAS MUNICIPAIS
"... MINHA TRISTEZA CADA DIA MAIS AUMENTA. Peço a Prefeitura que custeie para mim um tratamento Psicológico e Psiquiátrico pois sei que não me encontro mais, depois de tudo isso, no meu senso normal e em condições de desempenhar minhas funções equilibradamente. Inúmeras as vezes em que chorei e que passo meus dias lembrando e relembrando esses tristes episódios que não consigo mais tirá-los da minha cabeça sentindo um vazio muito grande que não sei explicar. Por Jesus Cristo preciso de ajuda médica".
de 04 de junho de 2003 escrito à mão COM ASSINATURA E MATRÍCULAS MUNICIPAIS (página 03)
"Tem muita gente que tem ódio de homossexual e o preconceito é muito grande nas escolas. É um ambiente doentio. Eu sendo professorx não aguentei. Fui humilhadx muitas vezes. Me disseram que eu teria de ser perfeitx se quisesse continuar a ser professorx".
de 07 de outubro de 2003 escrito à mão COM ASSINATURA E MATRÍCULAS MUNICIPAIS (FOLHA 03)
"Fiquei perturbadx, fragilizadx, desorientadx, com os nervos pronto pra explodir, paranoicx, em depressão com as pessoas que ficavam debochando da minha sexualidade".
de 29 de julho de 2003 escrito à mão COM ASSINATURA E MATRÍCULAS MUNICIPAIS (FOLHA 03)
Diretora Vera e orientadora pedagógica Fátima da Escola Municipal São Bento sacanearam a professora em processo transexualizador Faiza Khálida mentindo em relatório técnico de 2002 dizendo que ela não entregou o planejamento.
Após um período de depressão intensa, angústia e sofrimento, eu consegui ir até outro município, só, procurar socorro na emergência do Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro em 10/07/2003 onde eu fui avaliada em um dia por um médico psiquiatra e uma assistente social. Foram constatadas doença, necessidade do uso de medicações psicotrópicas e necessidade de acompanhamento psiquiátrico e tratamento psicológico contínuos.
O
FORMULÁRIO DE REFERÊNCIA DO CENTRO PSIQUIÁTRICO DO RIO DE JANEIRO
CONSTA DE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DE 2003 MEUS ARQUIVADOS PELA PROCURADORIA DE BELFORD ROXO
FORMULÁRIO DE REFERÊNCIA DO CENTRO PSIQUIÁTRICO DO RIO DE JANEIRO (CPRJ) DE 10/07/2003
SERVIÇO PÚBLICO ESTADUAL SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE SUBSECRETARIA DE SAÚDE SUPERINTENDÊNCIA DE SAÚDE CENTRO PSIQUIÁTRICO RIO DE JANEIRO Rio de Janeiro, 10/07/2003 FORMULÁRIO DE REFERÊNCIA Encaminhamos Xxxxxx Fagundes Coutinho Ao CAPS / LESLIE Rua/Av. Marechal Deodoro, 147 Centro Bairro 25 de Agosto Observação: Ambulatório de Psiquiatria
X Srx Xxxxxx de 30 anos, foi atendidx em nossa emergência e foi orientadx pelo médico a iniciar tratamento c/ atendimento regular no ambulatório. Queixa-se muita cefaleia, insônia, muito agressivx, chora c/ facilidade, vontade de se matar, tristeza. Solicitamos atendimento em consulta p/ x mesmx que reside na área abrangente deste serviço. Fizemos contato por tel. X paciente foi agendado p/ Dia 17/7/03 às 13:00hs c/ Dra Rosângela. Grata Assistente Social
CENTRO PSIQUIÁTRICO RIO DE JANEIRO Pça. Coronel Assunção s/n Saúde Rio de Janeiro/RJ CEP: 20220-480 Tel: 2516-5504 Fax: 2516-9451 CNPJ: 42.498.7170022-80
Sempre sozinha eu fui no centro da cidade de Duque de Caxias onde morava até o CAPs para ter atendimento com nova psiquiatra marcada pelos profissionais da saúde do Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro. Anteriormente no Centro Psiquiatrico Rio de Janeiro, eles me explicaram que infelizmente não seria permitido que eu tivesse a sequência do meu tratamento necessário por lá porque a minha residência ficava em outro município. Mas me foram dados muitos remédios gratuitamente, graças a Deus, suficientes para meses de uso contínuo.
RECEITUÁRIO DE CONTROLE ESPECIAL CENTRO PSIQUIÁTRICO RIO DE JANEIRO DIAZEPAM 10/07/2003
No Caps de Duque de Caxias a médica psiquiatra no registro de atendimento fez referência aos sintomas depressivos e problemas estressores no meu trabalho profissional no magistério da rede Municipal de Belford Roxo. Mais receitas me foram dadas e novo encaminhamento feito ao atendimento regular na Prefeitura Municipal de Duque de Caxias. Eu deveria comparecer a uma sala no Hospital Infantil da Cidade onde eu seria mais uma vez encaminhada para, enfim, ser acompanhada regularmente por médico psiquiatra e psicólogo.
REGISTRO DO CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL LESLIE CHAVIN
NO VERSO DA PRIMEIRA FOLHA DO REGISTRO DO CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL LESLIE CHAVIN DE DUQUE DE CAXIAS A MÉDICA PSIQUIATRA RELATOU POUCA MELHORA COM O ANTIDEPRESSIVO AMYTRIL QUE EU ESTAVA USANDO HÁ 7 DIAS (17/07/2003).
SEGUNDA FOLHA DO REGISTRO DO CAPS DE DUQUE DE CAXIAS MEDICAMENTO DOSE DIÁRIA - DIAGNÓSTICO SINDRÔMICO - ENCAMINHAMENTO - ASSINATURA DA MÉDICA PSIQUIATRA TÉCNICA - CRM (17/07/2003) E CONFERÊNCIA COM O DOCUMENTO ORIGINAL
PREFEITURA MUNICIPAL DE DUQUE DE CAXIAS Secretaria Municipal de Saúde Coordenadoria de Saúde Coletiva Centro de Atenção Psicossocial Leslie Chavin
Data de entrada no serviço 17/07/03
Identificação
Nome: Xxxxxx F. Coutinho Data de Nascimento 15/09/72 Idade 30 anos Sexo: (X) Xxxxxxxxx RG: 09089680-4 CPF: 024114147-81 Título de Eleitor: Endereço: Av. N. S. Graças 40 Ponto de Referência: Sub-Bairro: Xerém CEP: Telefone: Xxxx-xxxx xxxx-xxxx Filiação Mãe: Xxxx Xxxxxxxx Xxxxxxxx Pai: Xxxx Xxxxxx Xxxxxxxx Acompanhado por Encaminhado por CPRJ. História de adoecimento psíquico
No Hospital Infantil de Duque de Caxias eu enfrentei pela primeira vez a precariedade do atendimento público de saúde no Brasil. A fila para o atendimento estava imensa. Demorou longo tempo. Reclamações gerais ocorriam das pessoas na fila. Quando fui atendida me disseram que infelizmente não seria possível que eu tivesse a continuação do atendimento. Não havia como encaixar novos pacientes naquele instante e não havia perspectiva de quando abriria novas vagas no município em que eu morava.
Eu não podia nem me tratar na rede pública no município do Rio de Janeiro onde o atendimento funcionava, nem no município da Baixada Fluminense em que eu morava porque embora a demanda fosse imensa, não havia vagas na prática.
Continuando a buscar ajuda psicológica eu me dirigi novamente ao município do Rio de Janeiro, desta vez para tentar pela via particular, com a Clínica de Reabilitação Casa das Palmeiras em Botafogo. O trabalho deles me chamou atenção porque havia uma abordagem terapêutica através de procedimentos artísticos como pintura. Lá o profissional médico psiquiatra Edgar Tavares me encaminhou ao IPUB - Serviço de Psiquiatria da UFRJ que me informou novamente que eu não poderia ter o acompanhamento por eles por morar em outra região.
MÉDICO PSIQUIATRA EDGAR TAVARES DA CLÍNICA DE REABILITAÇÃO CASA DAS PALMEIRAS ME ENCAMINHOU PARA PSICOTERAPIA AMBULATORIAL EM 21/07/2003
Daí eu consegui localizar um consultório de um profissional particular na região central de Duque de Caxias possivelmente na localidade 25 de agosto. Eu me recordo que passei a pagar consultas seguidas com ele através do dinheiro do meu salário que eu recebia da Prefeitura de Belford Roxo. O nome dele era Dr. Aguimar. Eu lembro também que eu permanecia deitada na sala e ele me incentivava que eu colocasse para fora as experiências traumáticas que eu vivia no ambiente de trabalho de professor. Eu tinha impressão na época de que ele gravava os meus relatos, mas é apenas uma hipótese. Embora fosse um profissional sério, com uma proposta séria, essa abordagem terapêutica não surtia em mim o efeito desejado. Ao longo das consultas eu não tinha melhora. Os traumas, medos e fobias não se resolviam de forma que eu melhorasse e eu sentia que estava perdendo em vão todo o dinheiro que desembolsava.
Então continuando encontrei uma pessoa que informava ser psicólogo profissional anunciando atender próximo da minha casa, acredito em sua residência na localidade "Beira Serra". Além de todo o problema profissional, mal-estar, depressão, transtorno e sofrimento decorrentes, ele queria abordar também os outros aspectos da minha vida. Eu contava a ele a forma como eu me percebia e me sentia bem de viver e me relacionar plenamente, pois era transexual feminina, mas não havia iniciado o processo de transição. Eu manifestava a ele a minha realidade feminina. Logo de início ele não aceitou essa condição. Embora ele me mandasse sempre e diretamente eu desistir e parar de dizer que eu me sentia uma mulher, que eu era uma mulher, que isso era besteira, o assunto voltava nas próximas "consultas" porque eu levava muito a sério a situação e procurava dizer a verdade. Aqui onde eu moro em Xerém há uma influência muito grande do meio católico e evangélico e o psicólogo era também religioso, de família religiosa conhecida, atendia em casa, andava humildemente de bicicleta - sem desmerecer o fato - , nunca possuiu um consultório fora de sua residência ou atendeu na rede pública. Talvez eu tenha perdido o meu tempo com uma pessoa que nem profissional era. O que ele mandava eu fazer eu não conseguia fazer. O valor das consultas dele era mais adequado ao que eu podia pagar, mas nada deu certo também ou resultou em melhora e bem-estar.
Eu lembro que eu dei
entrada em processo administrativo pedindo para que a Prefeitura
Municipal de Belford Roxo custeasse um tratamento Psicológico e
Psiquiátrico para mim alegando que eu não me encontrava mais depois de
tudo que havia passado no trabalho da rede municipal de educação em
Belford Roxo em condições de desempenhar minhas funções
equilibradamente, mas eu não fui atendida. Eu sentia que faltava
interesse em me prestar assistência social, psicológica no órgão de
trabalho em que eu me encontrava. De fato, esse tipo de assistência,
apoio e ajuda no trabalho da rede municipal eu nunca tive.
No mesmo parágrafo do processo administrativo endereçado a Prefeitura Municipal de Belford Roxo em 2003 e arquivado pela Procuradoria do Município, eu registrei que inúmeras vezes
eu me encontrava chorando e relembrando esses tristes episódios no
trabalho que não conseguia mais tirá-los da minha cabeça sentindo um
vazio muito grande e outros sintomas psiquiátricos que não conseguia explicar pedindo em nome do Senhor Jesus Cristo ajuda médica.
DIAGNÓSTICO
TRANSTORNO BIPOLAR E TRANSTORNO DE IDENTIDADE DE GÊNERO CID 10: F.31 + F64.0
FAIZA KHÁLIDA É PORTADORA DE TRANSTORNO DE IDENTIDADE DE GÊNERO E DE TRANSTORNO BIPOLAR, QUADRO DE INSTABILIDADE DE HUMOR DEFLAGRADO APÓS VIVENCIAR HUMILHAÇÃO E CONSTRANGIMENTO NO AMBIENTE DE TRABALHO, SENDO O TRABALHO UM FATOR AGRAVANTE PARA A PATOLOGIA APRESENTADA, MANTEM INCAPACIDADE LABORATIVA.
FAIZA KHÁLIDA APÓS SOFRER DIVERSAS E DOCUMENTADAS SITUAÇÕES DE CONSTRANGIMENTOS EM SEU AMBIENTE DE TRABALHO TEVE QUADRO DEPRESSIVO COM PIORA DOS SINTOMAS PROGRESSIVAMENTE LEVANDO AO SEU AFASTAMENTO DE FUNÇÕES EM 2008 POR INCAPACIDADE LABORAL.
NO CONTEXTO SOCIAL, O ENFRENTAMENTO COM AS ATITUDES, GESTOS E PALAVRAS PRECONCEITUOSAS E DISCRIMINATÓRIAS ATINGIRAM UM GRAU DE INSUPORTABILIDADE E GRADATIVAMENTE, SEM RECURSOS INTERNOS, FAIZA KHÁLIDA FOI ADOECENDO PSIQUICAMENTE.
O PRENOME MASCULINO DE FAIZA KHÁLIDA SEMPRE LHE CAUSOU MUITO CONSTRANGIMENTO, SOBRETUDO APÓS A OPERAÇÃO DE REVERSÃO SEXUAL. SEU PRENOME CAUSA CONSTANTE RIDICULARIZAÇÃO, SENDO FONTE DE RISOS, CHACOTAS E DISCRIMINAÇÃO.
DEVIDO A INTENSIFICAÇÃO DE TRANSTORNOS DE ORDEM PSICOLÓGICA, NO ANO DE 2008, A USUÁRIA FAIZA KHÁLIDA FALTOU SUCESSIVAMENTE. A USUÁRIA FAIZA KHÁLIDA DESDE MAIO DE 2008 SE ENCONTRAVA SOB OS CUIDADOS DA DRA. MÉDICA PSIQUIATRA.
A SUA ESPECIAL CONSIÇÃO DE TRANSEXUAL LHE TRAZIA INÚMEROS DISSABORES AOS QUAIS NÃO LHE ERA DADO SUPORTAR, INJÚRIA, AGRURA E CONSTRANGIMENTO ILEGAL SOFRIDOS. FAIZA KHÁLIDA PASSOU A APRESENTAR DEPRESSÃO, COMPORTAMENTO DELIRANTE PERSECUTÓRIO E SINTOMAS PSICÓTICOS.
A PRESSÃO SOCIAL E O CONSTRANGIMENTO SOFRIDOS FIZERAM COM QUE FAIZA KHÁLIDA APRESENTASSE SINTOMAS DE DEPRESSÃO RELATADOS PELA PSIQUIATRIA NO PRONTUÁRIO DA USUÁRIA E ESTE FATO A FEZ DEIXAR DE COMPARECER AO TRABALHO.