quinta-feira, 21 de maio de 2009

Deputado acusado de homicídio será julgado semana que vem. O deputado estadual Geraldo Moreira é acusado pelo Ministério Público de ser o mandante do assassinato do médico Carlos Alberto Peres Miranda. Para o delegado Gilberto Ribeiro provas são suficientes.



Enviado por Marcelo Gomes - 21.5.2009 7h05m
NO BANCO DOS RÉUS
Deputado acusado de homicídio será julgado semana que vem

REPORTAGEM DO JORNAL EXTRA
http://extra.globo.com/geral/casodepolicia/#188081

Está marcado para a próxima segunda-feira, às 13h, o julgamento do deputado estadual Geraldo Moreira (PMN) no processo em que ele é acusado de ser o mandante do assassinato do médico Carlos Alberto Peres Miranda, de 55 anos. O crime ocorreu no dia 14 de março do ano passado, na Tijuca. O parlamentar é acusado pelo Ministério Público de homicídio triplamente qualificado. Por ter foro privilegiado, ele será julgado pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça (TJ), composto pelos 25 desembargadores mais antigos da corte.

Além da agravante de ser apontado pelo Ministério Público como mandante do crime, o parlamentar foi denunciado por motivo torpe: ordenar o assassinato do namorado da ex-mulher, a assistente social Leila Mayworm Costa, porque ele estaria "exercendo forte influência" sobre ela na partilha de bens. Também pesou contra o deputado o fato de o crime ter sido cometido com a vítima sendo surpreendida ao volante de seu carro, quando "foi covardemente abatida", e em local de grande movimento, expondo a risco quem passava pela Rua Andrade Neves, na Tijuca.

Os outros cinco acusados da execução do médico - entre eles dois PMs - respondem à ação penal na 3ª Vara Criminal e serão julgados pelo Tribunal do Júri, já que não possuem foro privilegiado.


O crime
O médico Carlos Alberto Peres Miranda foi executado a tiros, por volta das 9h do dia 14 de março de 2008. Ulisses Matheus Costa, de 23 anos, e Leandro Rosa da Silva, de 27, foram presos logo após o crime. Eles contaram à polícia que tinham sido contratados por PMs e ex-policiais para matar o médico, a pedido de um empresário da Baixada. Um dos PMs, Marcelo Gonçalves Brasil, de 31 anos, do 39º BPM (Belford Roxo), foi preso na mesma noite do crime. No mesmo batalhão, também foi detido Ivan Luiz Bayer. O ex-PM Aílton Silva Diniz, o Abel, teve a prisão temporária decretada. Os assassinos teriam recebido R$ 25 mil pela execução.

O crime ocorreu na altura do número 451 da Rua Andrade Neves, na Tijuca. O médico dirigia seu Peugeot 306 quando foi atacado e morreu na hora. O corpo dele ficou quase dez horas no asfalto à espera da remoção. Carlos Alberto era professor da Uerj e diretor-presidente de uma operadora de planos de saúde.


PERFIL DO PARLAMENTAR
Deputado estadual pelo terceiro mandato consecutivo, Geraldo Moreira ganhou expressão após ser eleito presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj, durante o governo de Rosinha Garotinho. No cargo, ele atuou em casos de grande repercussão, como as investigações da Chacina da Baixada, ocorrida em Queimados e Nova Iguaçu, em 2005. Apesar da militância nos direitos humanos, uma das principais bandeiras do deputado é o setor de transportes. Sua base eleitoral é Duque de Caxias. O lema do deputado é " o ser humano em primeiro lugar ".


MORTO CONSIDEROU BAIXO VALOR QUE EX-MULHER DO DEPUTADO RECEBERIA NA PARTILHA DE BENS.
De acordo com a denúncia do MP, Moreira teria decidido matar o médico Carlos Alberto após descobrir que ele estava orientando Leila Mayworm Costa, ex-mulher do parlamentar, a não ceder na partilha de bens.
A separação de Leila e Moreira é litigiosa, e tramita na 9 Vara de Família.
Ela mora num apartamento em Ipanema, avaliado em R$ 1 milhão, que está sendo reivindicado pelo deputado. Moreira teria oferecido R$ 50 mil à ex-mulher na partilha de bens, valor que o médico considerou baixo para uma relação de 21 anos.
Com a ajuda de uma testemunha, a polícia descobriu a amizade entre o deputado e o PM Marcelo Brasil. A testemunha revelou ter feito, a pedido do deputado, um levantamento da região da Tijuca, onde o médico foi morto. A vítima foi executada em 14 de março de 2008, na Rua Andrade Neves, na Tijuca.



CRIMINOSOS CONFESSARAM CRIME ENCOMENDADO POR VINGANÇA
Ulisses Mateus Costa (E) e Leandro Rosa Silva, acusados do assassinato do médico Carlos Alberto Peres Miranda, 55 anos, executado a tiros na Ruz Andrade Neves, na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro. Os criminosos foram presos por policiais do 6 BPM (Tijuca) após perseguição e troca de tiros pelas ruas do bairro. Durante a perseguição houve correria e pânico entre os pedestres e duas pessoas foram atropeladas pelos bandidos. Leandro e Ulisses confessaram ter cometido o crime a mando de um empresário da baixada fluminense por vingança.

7 ANOS DE PRISÃO
Leandro conduzia a moto que emparelhou com o Peugeot 306 que a vítima dirigia, e Ulisses desferiu os tiros de pistola que mataram o médico. Em 12 de fevereiro de 2010 eles teriam sido condenados a sete anos de prisão cada um.



Margareth sofre a morte de seu irmão assassinado



PMS DE BELFORD ROXO DAVAM COBERTURA AO CRIME

As investigações indicam que motivações passionais e financeiras levaram Geraldo Moreira a encomendar a morte do médico. Até agora foram presos os PMs Marcelo Gonçalves Brasil e Ivan Bayer, ambos do 39º BPM (Belford Roxo) — que davam cobertura aos pistoleiros no dia do assassinato —, e os executores do crime Leandro Rosa da Silva e Ulisses Matheus Costa. O único foragido é o ex-PM Aílton Silva Diniz, o Abel, que também estaria no carro que deu cobertura aos pistoleiros. Todos foram denunciados ao 3º Tribunal do Júri. “Ele matou dois coelhos numa cajadada só. Eliminou o homem de quem tinha ciúmes e que atrapalhava seu acordo na separação”, explicou o delegado da 19ª DP.

As investigações levaram ao nome do deputado a partir da descoberta de que ele teria sido responsável por reconduzir, em uma manobra política, os dois policiais à corporação. Brasil e Bayer haviam sido expulsos em 2004, após serem acusados pela morte de um menino de 12 anos em Saracuruna, Duque de Caxias. A polícia descobriu também que, atualmente, eles e Abel dominavam a milícia na região. Como já se sabia que Carlos Alberto namorava a ex-mulher do deputado, Leila Mayworm Costa, havia quase dois anos, o quebra-cabeça começou a ser montado. Até os agentes chegarem a uma testemunha-chave, ligada a Geraldo Moreira, que no depoimento do início desta semana deu novos detalhes sobre a suposta participação do parlamentar. Agora, ela deverá ser incluída no Programa de Proteção à Testemunha do MP.


DEPUTADO GERALDO MOREIRA TERIA SIDO RESPONSÁVEL POR RECONDUZIR,  EM UMA MANOBRA POLÍTICA OS DOIS POLICIAIS EXPULSOS À CORPORAÇÃO APÓS SEREM ACUSADOS PELA MORTE DE UM MENINO DE 12 ANOS EM SARACURUNA. OS POLICIAIS ATUAVAM NA MILÍCIA DE SARACURUNA E ERAM SUBORDINADOS A ABEL.
Outro ex-policial militar que também estaria no carro e davam cobertura aos pistoleiros era Ailton Silva Diniz, o "Abel", que seria preso em 2012 por policiais da 60 DP (Campos Elísios). O criminoso era apontado como chefe da milícia de Saracuruna em Duque de Caxias, onde explora sinal de TV a cabo, cobra "pedágios" de moradores, além de agir como agiota, expulsando as vítimas de seus imóveis quando elas não pagam as dívidas. O criminoso estava sendo monitorado pela polícia e foi preso em sua residência. Segundo o delegado titular da unidade, Felipe Curi, Ailton Silva Diniz, o "Abel" seria responsável por uma série de homicídios investigados na unidade e as testemunhas não formalizam seus depoimentos com medo de serem executadas por ele.




REVOLTA COM MENSAGEM
Segundo o inquérito apresentado a Marfan, a insatisfação de Moreira com o médico se acentuou no início de outubro. Em 27 de setembro, Leila, sua mulher durante 21 anos, entrou com uma ação pedindo a divisão de bens. O processo está na 9ª Vara de Família e ganhou o número 2007.001.152658-3. Semanas mais tarde, Geraldo teria interceptado, no celular da ex-mulher, uma mensagem de texto na qual o médico dizia “estar decepcionado” porque Leila assinara um documento relativo à ação sem consultar sua irmã, que é advogada. Como não sabia mexer no telefone, ele teria pedido ajuda a uma assistente do gabinete. Foi a partir daí, segundo a polícia, que ele teria decidido matar o médico, acreditando que não teria partido de Leila a ideia da partilha de bens.


PARA CHEFE DE POLÍCIA , PROVAS SÃO SUFICIENTES
No fim da tarde de quarta-feira, o chefe de Polícia Civil, delegado Gilberto Ribeiro, telefonou para o procurador-geral Marfan Vieira para marcar reunião. O encontro era para apresentar o desfecho da investigação da morte do médico Carlos Alberto Peres Miranda. Por volta das 19h30, Gilberto chegou ao Ministério Público, no Centro, com o delegado da 19ª DP (Tijuca), Walter Alves de Oliveira, e outros dois agentes. Para Ribeiro, o inquérito, com três volumes, havia sido encerrado, com provas suficientes para denunciar o deputado Geraldo Moreira como mandante do crime. Marfan entregou o inquérito ao procurador Antônio José, da Assessoria de Feitos da Atribuição Originária Criminal. O próximo passo é chamar o deputado para depor na semana que vem. Não está descartada ainda a hipótese de quebra de sigilo telefônico do parlamentar.


CORPO DO MÉDICO FICOU QUASE 10 HORAS NO ASFALTO ESPERANDO REMOÇÃO

A DENÚNCIA CONTRA O DEPUTADO GERALDO MOREIRA POR HOMICÍDIO TRIPLAMENTE QUALIFICADO (motivo torpe, impossibilidade de defesa da vítima e expor outras pessoas a perigo, já que o crime ocorreu no meio da rua) foi feita e duas semanas depois foi aceita integralmente pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça.



Revolta e muita tristeza marcaram os semblantes de familiares e amigos, ontem, durante o enterro do médico Carlos Alberto Peres Miranda, 55 anos, no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju. No momento do enterro,equipes da 19ª DP (Tijuca) faziam buscas na Baixada Fluminense para tentar descobrir o paradeiro do ex-PM conhecido como Abel, suspeito do crime. Três acusados — entre eles o PM Marcelo Gonçalves Brasil, 31, do 39º BPM (Belford Roxo) — estão presos. Investigadores já sabem que os quatro homens se encontraram na Praça de Saracuruna, em Duque de Caxias, onde moram, na sexta-feira. De lá seguiram para o local do crime, na Tijuca. Leandro Rosa da Silva, 26, e o atirador Ulisses Matheus Costa, 23, estavam numa moto. No Palio azul, que pertence a Brasil, estavam o PM e Abel. Os dois são seguranças de um candidato a vereador em Saracuruna. A polícia tem ainda informações de que havia uma terceira pessoa no carro — um outro PM do 39º BPM. De acordo com os policiais, Abel foi a pessoa contratada pelo mandante do crime e, por R$ 15 mil, repassou o ‘serviço’ para Ulisses e Leandro. Eles ganhariam R$ 10 mil e R$ 5 mil, respectivamente. Na delegacia, os dois revelaram que o PM Marcelo Brasil foi um dos que encomendaram a execução.

Acusados foram expulsos da PM - Ulisses e Leandro foram presos em flagrante. Brasil e Abel tiveram mandados de prisão preventiva (30 dias) expedidos pela Justiça. O PM negou participação no crime após se apresentar à delegacia sexta-feira. Abel continua foragido. Em 2004, os dois foram expulsos da PM acusados da morte de um menino de 12 anos, na Baixada. Brasil foi reintegrado em 2006. Abel cumpriu pena no Presídio Ary Franco até 2005. Ele já tinha passagem por roubo na área da 17ª DP (São Cristóvão).O delegado Walter Alves quer ouvir parentes do médico e testemunhas amanhã. . O médico era divorciado e tinha duas filhas. Uma delas completa 26 anos hoje.



FOLHA ON LINE 15/03/2008 - 18h22

Colaboração para a Folha Online


Leandro Rosa da Silva, 27, e Ulisses Mateus Costa, 24, que estavam em uma moto, dispararam dois tiros em Miranda e fugiram em seguida, mas foram flagrados por um carro da PM que transitava próximo ao local. Depois de perseguição com troca de tiros, os dois homens foram presos pela polícia e levados à 19ª DP, no mesmo bairro.

Ao serem interrogados, Silva e Costa indicaram o nome do soldado como mandante do crime.Brasil se entregou na 19ª DP junto de um advogado às 3h da madrugada deste sábado. Ele pertence ao 39º BPM (Batalhão da Polícia Militar), em Belford Roxo.

A polícia confirmou a prisão temporária de Brasil por 30 dias. Ele e os outros dois acusados já foram transferidos para a Polinter na tarde deste sábado, segundo informações da 19ª DP. 

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo para sempre.